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O que os AI Power Users exigem do escritório: implicações práticas do estudo da GENSLER 2023(link: Gensler 2026)

A discussão sobre inteligência artificial no trabalho avançou do campo da automação para o redesenho do comportamento profissional. O relatório Global Workplace Survey 2026 da Gensler traz um dado objetivo: 30% dos trabalhadores já operam como AI Power Users — utilizam IA de forma recorrente no trabalho e na vida cotidiana.

Esse grupo apresenta padrões distintos de uso do tempo, relacionamento e aprendizado. A consequência direta é que o modelo tradicional de escritório deixa de responder à realidade operacional dessas equipes.

O que muda com os AI Power Users

O estudo aponta três alterações relevantes no comportamento:

  • Menos tempo em tarefas individuais repetitivas
  • Mais tempo em aprendizado contínuo
  • Maior intensidade de interação com equipes

Ou seja, a IA desloca o trabalho do “fazer sozinho” para o “pensar e construir junto”.

Isso altera a função do escritório.


O desalinhamento atual dos espaços corporativos

Apesar da mudança no comportamento, o ambiente físico permanece, em grande parte, inalterado.

Um dado crítico do estudo:

  • 55% dos trabalhadores ainda adaptam (“hackeiam”) o próprio espaço para compensar falhas de ergonomia, conforto térmico e privacidade

Isso indica que o espaço não está preparado nem para o modelo anterior — quanto mais para o atual.


O novo papel do escritório

Se o trabalho individual perde relevância relativa, o escritório passa a ter três funções centrais:

1. Plataforma de colaboração presencial

Interações complexas, que exigem leitura de contexto, confiança e construção conjunta.

2. Ambiente de aprendizado contínuo

Troca informal, observação e desenvolvimento prático — dificilmente replicáveis em ambientes remotos.

3. Espaço de conexão e vínculo

Relacionamento entre equipes passa a ser ativo estratégico, não efeito colateral.


Evidência de impacto organizacional

O estudo mostra correlação direta entre qualidade do ambiente e retenção:

  • Funcionários em espaços considerados excelentes são quase 3x mais propensos a permanecer
  • 90% relatam orgulho de trabalhar nesses ambientes
  • Em espaços inadequados, esse número cai para 47%

Não se trata apenas de conforto — há impacto direto em retenção e engajamento.


O erro estrutural: escritório como layout, não como sistema

Grande parte das empresas ainda trata o escritório como:

  • Distribuição de mesas
  • Otimização de metragem
  • Decisão estética

Esse modelo não acompanha o deslocamento do trabalho para colaboração e aprendizado.


Diretrizes práticas para redesenho do espaço

A leitura técnica do estudo permite extrair alguns critérios objetivos:

1. Redução de estações fixas como eixo central

O trabalho individual tende a diminuir em relevância relativa.

2. Ampliação de áreas de interação qualificada

Não apenas salas de reunião, mas espaços de co-criação e troca contínua.

3. Mobiliário modular e adaptável

Permite reconfiguração rápida conforme tipo de atividade.

4. Ergonomia como base, não diferencial

Se 55% ainda corrigem o próprio espaço, há falha estrutural no projeto.

5. Integração entre tecnologia e ambiente físico

IA aumenta capacidade individual, mas exige espaço adequado para desdobramento coletivo.


Implicação para decisão executiva

O ponto central do estudo não é tecnológico — é organizacional.

A IA aumenta a produtividade individual, mas desloca o valor para atividades coletivas e cognitivas. Se o espaço não acompanha essa mudança:

  • A produtividade potencial não se realiza
  • A colaboração se deteriora
  • A retenção é impactada

Conclusão

O avanço da IA não elimina a necessidade do escritório — redefine sua função.

O ambiente físico passa a ser infraestrutura para colaboração, aprendizado e construção de confiança, que são justamente os elementos mais valorizados no trabalho contemporâneo.

A questão não é mais “quanto espaço precisamos”, mas “que tipo de trabalho queremos viabilizar — e se o ambiente atual suporta isso”.

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