ESCRITÓRIOS • OCUPAÇÃO • LAYOUT
Taxa de ocupação de escritórios bate recorde em 2026: o que isso muda no projeto do seu espaço corporativo
Um dado chama atenção nos relatórios mais recentes sobre ambientes corporativos: a utilização dos escritórios voltou a crescer de forma expressiva.
Segundo o 2026 Global Workplace & Occupancy Insights, da CBRE — uma das maiores empresas globais de serviços e investimentos imobiliários corporativos, presente em mais de 100 países e com atuação em consultoria, gestão de propriedades, projetos, ocupação e workplace —, a utilização média global dos escritórios chegou a 53%, enquanto os momentos de pico atingiram 80%. (CBRE).
A dimensão da pesquisa também é relevante: o estudo analisou dados de clientes da CBRE que representam cerca de 303 milhões de pés quadrados, ou aproximadamente 28 milhões de m² de escritórios, em diferentes regiões e setores.
O mais interessante, porém, não está apenas no número.
O escritório de 2026 funciona em um contexto diferente daquele anterior à pandemia. O trabalho híbrido permanece, posições são compartilhadas com maior frequência e o espaço físico precisa acomodar atividades muito diferentes ao longo do mesmo dia.
A própria CBRE descreve uma mudança no propósito do escritório: menos dependência exclusiva da estação individual e maior importância de colaboração, conexão e comunidade. CBRE
Isso muda também a pergunta que deveria orientar um projeto corporativo.
Antes, era comum começar por:
Quantas pessoas cabem aqui?
Hoje, talvez seja mais útil começar por:
O que essas pessoas precisam conseguir fazer quando estão aqui?
53%
utilização média global
80%
utilização nos momentos de pico
28 milhões m²
área de escritórios analisada pela pesquisa
Fonte: CBRE — 2026 Global Workplace & Occupancy Insights.
A CBRE Group é uma companhia global especializada em imóveis corporativos, gestão de propriedades, workplace, projetos e investimentos imobiliários. Segundo a própria empresa, é a maior companhia mundial de serviços e investimentos em imóveis comerciais com base na receita de 2025, possui mais de 155 mil profissionais e atende clientes em mais de 100 países.
De estação de trabalho a espaço de pertencimento
Durante muitos anos, um dos principais indicadores de eficiência de um escritório era a densidade: quantas pessoas poderiam ser acomodadas por metro quadrado e quantas estações caberiam no layout.
Esse indicador continua importante, mas deixou de explicar sozinho a qualidade do espaço.
Se parte importante do valor do trabalho presencial está em encontrar outras pessoas, colaborar e compartilhar experiências, o escritório precisa criar condições para isso.
A recepção deixa de funcionar apenas como passagem. Áreas de café, copa, lounge e outros espaços informais passam a assumir um papel maior na experiência cotidiana.
Isso não significa transformar todo o escritório em área de convivência.
Significa equilibrar trabalho individual, colaboração, concentração, privacidade e interação social.
FOCO
Trabalho individual e concentração.
COLABORAÇÃO
Reuniões, desenvolvimento conjunto e troca de ideias.
CONEXÃO
Conversas informais e convivência.
PRIVACIDADE
Chamadas, reuniões reservadas e atividades sensíveis.
O que muda quando o escritório deixa de ser apenas um lugar de trabalho
Durante o período de maior adoção do trabalho remoto, muitas empresas revisaram suas necessidades imobiliárias e reduziram áreas ou investimentos em escritórios.
Esse movimento fazia sentido em um cenário de baixa utilização.
A recuperação do uso muda parte dessa equação.
A questão deixa de ser apenas:
Quanto custa manter este escritório?
E passa a incluir:
Que valor este espaço gera quando as pessoas estão presentes?
Isso não significa necessariamente aumentar a metragem.
Em muitos casos, significa qualificar melhor o que já existe:
– redistribuir áreas;
– melhorar espaços comuns;
– rever salas de reunião;
– criar locais de concentração;
– melhorar acústica;
– adotar mobiliário mais adaptável.
A própria CBRE aponta que o escritório híbrido exige estratégias mais ativas de utilização do espaço e experiência dos usuários.
como era antes:
DIMENSIONAMENTO
Quantas pessoas?
Quantas posições?
Quanto espaço?
Qual o custo?
como tende a ser:
EXPERIÊNCIA DE USO
Que atividades acontecem?
Onde as pessoas colaboram?
Onde conseguem se concentrar?
Onde encontram privacidade?
Como o espaço muda ao longo do dia?
Projetando para afiliação, na prática
A ideia de afiliação pode parecer abstrata, mas no projeto ela aparece em decisões bastante concretas.
A recepção pode comunicar melhor a identidade da empresa em vez de funcionar apenas como área de espera.
Áreas de convivência precisam oferecer conforto suficiente para que sejam realmente utilizadas.
Salas de reunião devem considerar diferentes formatos de encontro, inclusive reuniões híbridas.
Áreas abertas precisam conviver com espaços de concentração e privacidade.
E o mobiliário precisa permitir mudanças futuras sem obrigar a empresa a redesenhar o escritório a cada alteração da equipe.
A afiliação não substitui ergonomia, acústica, circulação ou eficiência.
Ela acrescenta uma pergunta:
Além de funcionar, este ambiente ajuda as pessoas a se conectar com a empresa e umas com as outras?
RECEPÇÃO
Identidade e primeira percepção do espaço.
CONVIVÊNCIA
Café, copa e encontros informais.
REUNIÕES
Ambientes adequados a diferentes tamanhos e formatos.
FOCO
Locais protegidos de interrupções e excesso de ruído.
FLEXIBILIDADE
Mobiliário e infraestrutura preparados para mudanças.
ACÚSTICA
Separação de atividades incompatíveis e controle de interferências.
Pico de ocupação também exige planejamento
O crescimento da presença não traz apenas oportunidades.
Uma utilização média pode parecer confortável, mas o escritório precisa suportar os dias e horários de maior movimento.
É justamente nesses picos que podem surgir:
- falta de posições adequadas;
- salas constantemente ocupadas;
- excesso de ruído;
- conflitos de circulação;
- áreas comuns insuficientes.
Por isso, dimensionar o escritório apenas pela média pode levar a conclusões erradas.
O projeto precisa observar três coisas diferentes:
MÉDIA
Quantas pessoas utilizam normalmente o escritório?
PICO
Quantas pessoas estão presentes nos dias mais cheios?
ATIVIDADE
O que essas pessoas fazem quando estão presentes?
Projeto eficiente precisa considerar os três.
Planeje o espaço pela atividade, privacidade e concentração começam no projeto.
De densidade para pertencimento, sem abandonar a eficiência
O aumento da utilização dos escritórios não representa simplesmente um retorno ao modelo anterior à pandemia.
O trabalho híbrido permanece, as posições são compartilhadas com maior frequência e as atividades realizadas presencialmente mudaram.
O desafio passa a ser combinar eficiência de espaço com uma experiência que faça sentido para quem utiliza o ambiente.
Isso exige olhar além da quantidade de estações e entender como recepção, áreas comuns, salas, espaços de foco, acústica e mobiliário participam do mesmo sistema.
Em vez de perguntar apenas:
Quantas mesas cabem?
Talvez seja mais útil perguntar:
Que tipo de trabalho, encontro e experiência este espaço precisa tornar possível?
Planeje o espaço pela atividade.
Privacidade e concentração começam no projeto.
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